Sindicato dos Trabalhadores em Postos de Combustíveis da Bahia

130 ANOS DA ABOLIO: POPULAO NEGRA VIVE MARGINALIZADA E EM CONDIES PRECRIAS

Publicado em: 14/05/18

O Brasil foi o ltimo pas no mundo a acabar com a escravido. Isso s aconteceu com a assinatura da Lei urea pela princesa Isabel, em 13 de maio de 1888. No ano seguinte, o pas se transformava numa Repblica e iniciava um processo de branqueamento da sociedade trazendo mo de obra europeia para substituir as trabalhadoras e os trabalhadores escravizados por quase quatro sculos no pas.

A Abolio lenta gradual e segura, segue os caminhos da excluso para a populao negra. Um presente para a sociedade de classe daquela poca. As condies pavimentadas pelos governantes condicionaram as possibilidades atuais de manuteno do racismo e da magirnalizao da maioria da populao, diz Mnica Custdio, secretria de Igualdade Racial da CTB.

Maurcio Pestana, escritor, jornalista e publicitrio, emenda o raciocnio de Custdio ao dizer que a Lei urea chegou quando j tnhamos poucos escravos no pas. A presso externa e as intensas lutas internas esgotaram o sistema escravista, a Abolio regulamentou essa nova ordem, mas os afrodecendentes no foram contemplados e a elite fechou os olhos para os ex-escravos.

Ele conta que a Repblica nasceu de um golpe de Estado em 1889, inclusive contra os direitos do ex-escravos. Pestana explica que a Monarquia tinha um projeto para os escravos ao passo que a Repblica apenas deseja livrar-se dos seres humanos escravizados; "O nico projeto que tinham era mand-los de volta para a frica. Para ele, "o processo de substituio da mo de obra negra pela branca foi de uma certa forma criminoso".

Enquanto Jernimo Silva, secretrio de Combate ao Racismo da CTB-BA, afirma que foi a luta dos escravos e dos abolicionistas que acabou com a escravido. Porm, complementa, os abolicionistas radicais, que defendiam terras para os ex-escravos foram derrotados e se fez uma transio moderada ao gosto da elite econmica.

Mas ainda hoje, estamos condicionadas s piores relaes, e condies de trabalho, salrios, moradia, sade, mobilidade urbana e acesso cultura em termos de produo, execuo, e/ou conhecimento, afirma Custdio.

Ela se refere aos dados de vrias pesquisas recentes que mostram a perversidade do racismo brasileiro. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatsticas (IBGE) nota que a soma de negros e pardos ultrapassa os 55% da populao, mas o Instituto Ethos revela que 7 em cada 10 pessoas assassinadas no Brasil so negras.

O Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada aponta que a populao negra tem salrios 56% menores do que os brancos e exercem bem menos cargos de chefia tanto em empresas pblicas quanto privadas. Pelo levantamento do ano passado, 4,7% de homens negros ocupam cargos de direo e 6,3% de gerncia.

Para as mulheres muito pior. Apenas 0,4% das negras ocupam cargos de direo e 1,6% so gerentes. Alm disso, as mulheres negras esto na base da pirmide social com os menores salrios, com as funes de menor possibilidade de maiores rendimentos, alm de sofrerem assdio moral e sexual constantemente, acentua Lidiane Gomes, secretria de Igualdade Racial da CTB-SP.

Ela explica que isso reflexo das polticas de fins do sculo 19 e incio do sculo 20, pelas quais a populao afrodescendente foi posta margem do trabalho e da vida, com a implantao de um projeto de branqueamento da sociedade.

De qualquer forma, refora Gomes, a Abolio foi fruto de intensas batalhas no transcorrer dos quase 4 sculos de escravido. Ela cita o Quilombo dos Palmares, que durou cerca de 100 anos, no sculo 17. Inclusive, Zumbi, seu ltimo lder homenageado com o Dia Nacional das Conscincia Negra, em 20 de novembro, data de sua execuo pela coroa portuguesa em 1695.

Custdio lembra o socilogo Jess de Souza, para quem a escravido o elemento definitivo que marca a sociedade brasileira at hoje. Por isso, a luta para a construo de uma sociedade igualitria passa pela luta contra a discriminao racial.

Por isso, conclui a sindicalista carioca, faremos da Abolio inconclusa um veio de luta pelos direitos liberdade e vida. Vamos resistir e acabar com o genocdio da juventude negra. Por que vidas negras importam. Todas as vidas importam e vamos. Ela define ainda que "combater o racismo emancipar a humanidade".

Fonte: Marcos Aurlio Ruy Portal CTB



Compartilhe ->

Comentrios

[ Faa seu comentrio ]   [ Envie Para um amigo ]

todos os campos so obrigatrios

todos os campos so obrigatrios

Filiado a:

FENEPOSPETRO

Av. Sete de Setembro n° 941, Conjunto 101 - Centro/Mercês
CEP: 40060 - 000, Salvador-BA

© Copyright 2009 - SINPOSBA