Sindicato dos Trabalhadores em Postos de Combustíveis da Bahia

TEMER QUER LIBERAR A VENDA DE REMDIOS EM SUPERMERCADOS

Publicado em: 10/05/18

Nesta segunda-feira (07), Michel Temer disse que estuda a possibilidade de liberar a venda de medicamentos sem prescrio em supermercados. Problemas como o incentivo da automedicao e transformao de medicamentos em um produto como qualquer outro so apontados como impasses para essa mudana na comercializao. Para o presidente do Conselho Nacional de Sade, Ronald Ferreira dos Santos, esse anncio reafirma que Temer trata a questo da sade como um negcio.

Por Vernica Lugarini

A pedido do presidente da Associao Brasileira de Supermercados (Abras), Joo Sanzovo Neto, o presidente Michel Temer afirmou que vai avaliar uma proposta para autorizar supermercados a venderem medicamentos isentos de prescrio mdica. O anncio aconteceu nesta segunda durante evento da Associao Paulista de Supermercados, o Apas Show.

Levarei em conta essa proposta de tentar vender aqueles medicamentos que no exigem prescrio mdica, vou examinar esse assunto", disse Temer a uma plateia de empresrios do setor.

Consultado pelo Portal Vermelho, Ronald Ferreira dos Santos, presidente do Conselho Nacional de Sade (CNS), foi enftico ao dizer que v essa proposta como um verdadeiro absurdo. Para ele, a questo central, independente do remdio ter ou no prescrio, e de que ele no isento de efeitos colaterais e para sua utilizao necessrio respeitar minimamente alguns critrios de segurana, os quais cabe ao estabelecimento vinculado sade, ou seja, a farmcia nesse caso.

Essa medida vai justamente na direo contrria a tudo que estava se construindo ao longo dos ltimos anos na sociedade brasileira, ou seja, de desconstruir a lgica de que o medicamento um insumo garantidor da sade da pessoa e mostrar que ele apenas um componente do direito e acesso sade. O principal ataque dessa proposta ir colocando medicamentos como um produto qualquer e, ao cabo, pode ter como consequncia um conjunto de outras polticas de restrio e diminuio no acesso porque substitui a lgica do direito pela lgica do mercado pela lgica do produto, do mercado. Temer no est com a sade, est com o negcio, explicou em entrevista.

Segundo o presidente do CNS, a aumento da automedicao e o no acompanhamento de um profissional adequado para a venda so as consequncias de um maior desdobramento dessa medida, que banalizao desse produto que deveria ser diferenciado.

J o professor de sade pblica da Unesp de Araraquara, Rodolpho Telarolli Junior, acredita que no haver grandes mudanas se a essa venda for limitada apenas aos medicamentos esto dentro da categoria OTCs (over-the-counter que significa sobre o balco em ingls), como medicamentos para dor de cabea, sais de fruta e alguns antialrgicos, ou seja, que j so vendidos sem prescrio nas farmcias.

Pelo lado econmico, Rodolpho Telarolli avaliou que isso impactaria mais na competio entre dois ramos do comrcio, as redes de farmcia e as redes de supermercados. De toda forma, ele apontou que a possibilidade de automedicao deve ser um fator de preocupao na rea da sade. evidente que se voc deixar o medicamento para o cliente se servir sem a interveno do farmacutico voc estimula a automedicao, mas so produtos de baixa periculosidade, afirmou o professor.

J Ronald Ferreira dos Santos discorda. Para ele, importante destacar que o fato de no ser um medicamento prescrito no isento de efeitos colaterais, de danos sade, porque a clssica frase: A diferena entre o remdio e o veneno est na dose, tendo ou no prescrio.

Nova tentativa

Essa no a primeira vez que essa proposta tenta ser emplacada. Em 2012, a ento presidente Dilma Rousseff havia vetado a venda de medicamentos em supermercados pelo grande risco de estimular a automedicao e uso indiscriminado. Alm da dificuldade do controle sobre a comercializao dos produtos. "Ademais, a proposta poderia estimular a automedicao e o uso indiscriminado, o que seria prejudicial sade pblica", informou.

Fonte: www.vermelho.org.br



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