Sindicato dos Trabalhadores em Postos de Combustíveis da Bahia

ADILSON ARAJO: DECLARAES DE PRESIDENTE DO TST AFRONTAM TRABALHADOR

Publicado em: 07/11/17

A Central Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) considera as declaraes do presidente do TST (Tribunal Superior Eleitoral), o ministro Ives Gandra, publicada nesta segunda-feira (6), no jornal Folha de So Paulo, uma afronta trajetria de luta da classe trabalhadora pela conquista, ampliao dos direitos e proteo social.

Por Adilson Arajo*

O que o presidente do TST desdenha em sua entrevista uma cesta mnima de direitos fruto de dcadas de luta. E seu discurso no tem outro objetivo seno colocar gua no moinho daqueles que, em nome da modernidade, querem praticar o maior ataque do capital contra o trabalho, reforando a agenda ultraliberal liderada por Michel Temer e impondo classe trabalhadora o nus da crise.

Ao afirmar em entrevista que ...nunca vou conseguir combater desemprego s aumentando direito...", Gandra sinaliza positivamente para a ampliao da precarizao no mundo do trabalho, j que afirma que para gerar emprego, a classe trabalhadora pode ser submetida a uma realidade sem direitos como: frias, 13 salrio, descanso semanal remunerado, reduo da jornada, entre muitos outros.

De acordo com o estudo Dieese (Departamento Intersindical de Estatstica e Estudos Socioeconmicos), a reduo da jornada de trabalho sem reduo de salrios, por exemplo, pode contribuir diretamente para a distribuio de renda no pas, pois os trabalhadores poderiam se apropriar dos ganhos da produtividade e, assim, um crculo virtuoso na economia.

O polmico presidente do TST que j impediu, por deciso na Corte a divulgao da lista das empresas autuadas pela Justia pelo crime de trabalho escravo, tambm defendeu publicamente a reforma trabalhista. Ao afirmar que necessrio "modernizar a legislao porque sem isso o investidor no investe no Brasil", Gandra assina sua defesa de que a nova legislao trabalhista foi elaborada para servir aos patres, e no para equilibrar a relao de trabalho. Pelo contrrio, sua defesa pelo trabalho sem igualdade, equidade e o salrio digno.

Declaraes como essas revelam o tamanho do desafio que o pas e a classe trabalhadora precisam enfrentar na atual etapa. Somente com unidade, resistncia e luta enfrentaremos tamanha ofensiva e o movimento sindical deve assumir seu lugar na linha de frente dessa batalha.
O movimento sindical deve orientar a classe trabalho sobre o est em jogo, fortalecendo suas bases e denunciando os efeitos desta brutal ofensiva que mira direitos conquistados aps duras lutas.

Ives Gandra erra no s por ferir a histrica luta da classe trabalhadora, mas tambm porque agride e defende a retirada de direitos de uma parcela importante da sociedade que luta por emprego, salrio digno e uma vida sem misria.

*Adilson Arajo presidente nacional da CTB

Fonte: www.ctb.org.br



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